quarta-feira, 4 de novembro de 2015

EU LUTO COMO MULHER


#AgoraÉQueSãoElas é um movimento nas mídias pela ocupação de espaços e protagonismo nas discussões pelas mulheres.

Essa é a provocação que me fez abrir a boca e gritar pela vida das mulheres. Pela luta do direito de ser mulher é inadmissível o retrocesso absurdo que sofremos com a perda de espaços conquistados à duras penas.

Refiro-me aos tão recentes episódios em que mulheres são discriminadas por inúmeras banalidades, preconceitos raciais, de gênero, políticos, mães sofrendo repressão e repúdio por amamentarem as suas crias em público!!!????

Atitudes retrógradas fundamentalistas nos condenam ao retorno às trevas. Precisamos reafirmar posições negociadas no tranco debaixo de saraivadas de cretinices de toda a ordem!

Assim devemos propagar denúncias de violência, de abusos sexuais, pressões psicológicas, assédio moral e toda a sorte de barbárie que proliferam neste planeta em estado de crise por todos os cantos.

Que mundo é esse????

Sofri pessoalmente muita discriminação por ser mulher, trabalhando no meio de homens e muita das vezes pelas próprias mulheres machistas.

Trabalhei com viagens, obras, amamentei meu filho por 1 ano e 2 meses e “fiz ouvido de mercador” para observações do tipo , “amamentar é coisa de pobre” , “ o peito da mulher que amamenta cai” e outras bestialidades!   

Morei sozinha durante muito tempo em minha vida, desde os meus 21 anos até meu primeiro casamento e após a minha separação, durante 15 anos. Ostentei a liberdade indecente de ser mulher. Paguei um preço altíssimo por cada escolha e sei que nunca é fácil.

Sempre discuti os parâmetros, fui criada por mulheres fortes e sozinhas que foram as protagonistas na minha vida, enfrentaram barreiras e empunharam bandeiras para se equilibrarem nesta existência.

Não tive filhas e a convivência com outras mulheres é bastante dificultada pelas pequenas vilezas, picuinhas e ciumeiras de quem sobrevive na competição por atenção. 

Mãe, tias, avó, irmãs, sobrinhas, sogras, vizinhas, colegas de trabalho que não se unem. Sempre me recusei a perpetuar este ciclo vicioso.

Apelo hoje para a nossa vã racionalidade e pelo que nos resta de características humanas para que ocupemos espaços para refletir sobre o nosso papel de fêmeas na mídia, na sociedade, na política, na cidadania e na consciência planetária de um modo geral.

Posicionamento e resistência para manter a democracia e a dignidade.
E você vai ficar aí parada, dinamitada pela impotência?

Somos filhas da revolução feminina !

Nathalia Leão Garcia 
Rio, 04 de novembro de 2015. 







    

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